Saiu no dia 7 de Agosto de 2016, no jornal Açoriano Oriental, uma entrevista que a Jessica Pacheco deu à rádio Açores/TSF. A reportagem é de Ismael Raimundo e Rafaela Edral.

Uma vez que não temos a versão em PDF, reproduzimos aqui o conteúdo.


O veganismo é um estilo de vida que vai contra qualquer tipo de atividade que "utilize, explore e cause sofrimento nos animais"

Foi criada recentemente a Associação Vegana Açores, uma organização que "quer educar a população em geral e sensibilizar os profissionais de saúde sobre este estilo de vida"—o veganismo—"que está em expansão aqui na Região".

Jéssica Pacheco, presidente da associação, explicou, em entrevista à rádio Açores/TSF, que o veganismo "não é uma dieta, é um estilo de vida que visa rejeitar qualquer tipo de 'especismo', ou seja, considerarmos a espécie humana superior a outras espécies". Para o efeito, os veganos têm como premissa a "abolição da exploração e do sofrimento animal" e a criação desta associação teve como um dos principais objetivos "apresentar aos açorianos as nossas diferentes perspetivas".

Apesar da dieta ser um dos grandes focos do veganismo—"não consumimos carnes, peixe, ovos, laticínios, mel, gelatinas de origem animal, corantes nem conservantes que contenham produtos de origem animal", as restrições não se ficam por aqui.

A nível do vestuário, os veganos não vestem lãs, peles, camurças, marfim, para além de que não utilizam produtos de cosmética nem medicamentos que incluem na sua composição produtos de origem animal ou que tenham sido testados em animais.

O veganismo é também "contra desportos que utilizem animais, nomeadamente as touradas, somos contra circos com animais, contra zoos, equitação, charretes...", no fundo "tudo o que utilize, explore e cause sofrimento nos animais".

A associação também tem preocupações ambientais nomeadamente no que toca à indústria agropecuária. "A agropecuária intensiva é a principal emissora de gases que causam o efeito estufa", explicou a presidente da associação, acrescentando que "se queremos cuidar do nosso ambiente temos que ter noção dos efeitos das explorações animais a nível ambiental".

Jéssica Pacheco explicou que ainda há "muitas pessoas curiosas com o veganismo mas têm algumas dificuldades e falta de conhecimento, não sabem exatamente o que vai substituir o quê".

"A transição não é difícil, qualquer pessoa consegue ser vegana", assegurou a dirigente dos veganos açorianos. "Se for uma dieta bem planeada não haverão défices nutricionais, o fundamental é as pessoas terem um bocadinho de conhecimento".

A base alimentar são os vegetais, "temos também os grãos e as leguminosas para a parte proteica e comemos duas ou três peças de fruta por dia" [sic A base alimentar dos veganos inclui vegetais, leguminosas, grãos, fruta, oleaginosas e sementes].

Uma das principais dificuldades é comer em restaurantes "visto não haver grande oferta a nível vegano".

Em breve a associação irá ter sessões de esclarecimento, workshops e visitas a restaurantes para tentar mudar este panorama a nível regional.