Saiu no dia 20 de Março de 2017, uma entrevista dada ao jornal Açoriano Oriental. A reportagem é de Miguel Bettencourt Mota.

Uma vez que não temos a versão em PDF, reproduzimos aqui o conteúdo.


Secretaria regional da Educação vai analisar aplicabilidade da medida nas escolas do arquipélago. Associação Vegana pede introdução imediata.

Uma lei que obriga à inclusão de uma opção vegetariana estrita (sem quaisquer produtos de origem animal) nas ementas das cantinas públicas e refeitórios do Estado foi recentemente aprovada na Assembleia da República, mas o Governo Regional ainda vai estudar se a aplicação da medida, pelo menos na sua completude, se justifica no arquipélago.

A secretaria regional da Educação e Cultura, ao que o Jornal Açoriano Oriental apurou, tem ainda uma palavra a dizer sobre a matéria. Até porque, esta lei—que se dirige a refeitórios e cantinas de hospitais, lares, autarquias, serviços sociais de administração pública, mas também a escolas e universidades—determina a possibilidade de, não havendo procura suficiente, algumas cantinas serem dispensadas de apresentarem a opção vegetariana, contemplando em alternativa um regime de inscrição prévio.

A Associação Vegana dos Açores, contudo, defende a introdução imediata do prato nos menus das escolas. Aliás, refira-se, a associação avançou com a petição "Inclusão de uma alternativa vegetariana nas cantinas/refeitórios das escolas" e deseja vê-la discutida na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA).

No documento, pode ler-se, os peticionários argumentam que a "Direção Geral de Saúde já disponibilizou guias com linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável, alimentação vegetariana em idade escolar, assim como um guia de planeamento de refeições vegetarianas para crianças em restauração coletiva", e que a não inclusão da opção nos menus escolares "limita, descrimina e exclui uma criança com uma alimentação distinta".

A presidenta da Associação Vegana dos Açores, Jessica Pacheco, já fez chegar a petição à ALRAA e espera, agora, que as cerca de 860 subscrições possam traduzir a importância do acolhimento da medida na Região.

"Decidimos avançar, porque uma coisa é a lei nacional—e nós pensamos que chega automaticamente aqui—mas na realidade tem de ser discutida nos Açores devido à nossa Autonomia", disse a principal subscritora do documento, explicando o porquê da iniciativa a este jornal.

Para Jessica Pacheco, a adoção da lei é tão mais importante quando "o feedback que se tem é o de que cada vez mais pessoas aderem ao veganismo" na Região. Uma adesão que só não é maior devido a alguma falta de conhecimento profundo sobre a matéria e que encontra também razão nas poucas alternativas que o mercado regional sugere.

"Há falta de informação técnica por parte dos profissionais de saúde locais e, por força, da nossa insularidade nós não temos metade dos produtos que existem no continente. Tudo isso torna difícil a transição das pessoas para este estilo de vida [vegetarianismo estrito]", sinalizou a dirigente associativa.

Jessica Pacheco saúda, entretanto, a lei aprovada na Assembleia da República — com os votos a favor de PS, PCP, BE, PEV e PAN e com as abstenções do PSD e CDS—e vê nela uma forma de combater as dificuldades, para já, existentes. Ainda assim, fez questão de deixar o alerta: "a passar nos Açores, nós não queremos apenas saladas para as crianças nas escolas (...) queremos que sejam planeados por nutricionistas abertos ao vegatarianismo estrito, proporcionando nas escolas uma alimentação nutricionalmente adequada".