Nos anos 50, fumar era incentivado pelos media, por profissionais de saúde e figuras públicas.

A indústria tudo fazia para manter o vício dos seus clientes, até que as consequências falaram mais alto e o número de mortes revelou o lado negro do tabaco. Mas a indústria e alguns profissionais de saúde (principalmente fumadores) apostavam no "Fume com moderação!"

No entanto,  evidência não deixava sombra para dúvidas, e a palavra moderação passou a ser substituída pelos alertas -"Fumar mata!", "Fumar  provoca 9 em cada 10 cancros do pulmão", e pelas imagens chocantes presentes hoje nas embalagens.

Quando falamos do consumo de carne os argumentos são sempre os mesmos "é fundamental, é necessário!", sendo promovido pelos media, por profissionais de saúde e por figuras públicas.

Em 2015 surge o alerta da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre as carnes processadas e a sua relação com o cancro—categoria 1 (tal como o tabaco e amianto)—em que os dados científicos permitiram concluir que estes alimentos têm um papel no surgimento de cancro no intestino. Apenas 50 gramas por dia de carne processada—o equivalente a menos de duas fatias de bacon—, são o suficiente para aumentar em 18 por cento o risco de vir a desenvolver cancro colorectal.

Surge (novamente) a palavra moderação—"Comam carne com moderação"—afirmam os profissionais de saúde! 

Se o tabaco causa cancro vamos dizer às pessoas “fumem com moderação”? Se o amianto é cancerígeno vamos dizer às pessoas “utilizem amianto com moderação”?  Então, porque fazemos isso com a carne? Ou será que a fraca formação dos profissionais de saúde em nutrição estará a falar mais alto e a palavra moderação surge como desculpa?

Porque estarão a promover moderadamente o cancro? Será isto o cuidar que tanto falamos aquando da formação profissional?

Todos nós sabemos que as doenças mais populares dos nossos tempos estão diretamente relacionadas com a (des)nutrição atual.

Lembro-me bem de estudar sobre Diabetes Mellitus tipo 2 e aprender na escola que o aumento da glicémia (açúcar no sangue) é proporcionada pelo consumo elevado de hidratos de carbono, no entanto a  literatura científica discorda completamente afirmando que a terapia mais poderosa no tratamento da diabetes consiste na adopção de uma dieta desprovida de produtos de origem animal, baixa em gordura e rica em hidratos de carbono não processados, sendo possível reverter a diabetes!!!! 

Está na altura de afirmarmos que o tabaco e o amianto são cancerígenos, tal como a carne processada e que a moderação não pode ser opção. 

Jessica Pacheco