Uma das expressões mais utilizadas pelas pessoas no que toca ao veganismo é de que é fundamentalista, extremista, radical.

Cresci pensando que a realidade era comer animais porque era essencial para a nossa saúde, de que a principal causa do efeito estufa era o sector dos transportes e não pensava muito da origem dos alimentos que comia, até... ao dia em que descobri a realidade.

Ao assistir ao documentário Earthlings (Terráqueos) mudei a forma como via "o meu bife", "os meus ovos", "o meu leite", que na realidade nunca me pertenceram, aliás resultaram do sofrimento, exploração e morte de seres sencientes. Hoje em dia vejo um bife como um cadáver, vejo os ovos como o processo ovulatório de outra espécie, vejo o leite como algo que pertence ao pequeno bezerro.

A verdade é que não existem verdades absolutas, mas existem factos dos quais não se consegue contra-argumentar.

Saber que não existe necessidade de comer animais do ponto de vista da saúde, saber que não comer animais é o maior contributo para o planeta (uma vez que é o principal responsável pela emissão de gases de efeito estufa, desflorestação, contaminação das águas e solos e das quantidades exorbitantes de água utilizadas nesta industria) e de que podemos poupar imensas vidas, faz-me questionar: Será fundamentalismo querer o melhor para a saúde, para o ambiente e animais?

Não será fundamentalismo ver os animais como coisas para comer, para usar, para testar? Não será fundamentalismo ver os factos do ambiente e não querer mudar? Não será fundamentalismo termos a evidência cientifica claramente a indicar que o caminho a seguir na saúde é uma dieta vegetariana estrita, composta por integrais, pobre em gordura e no entanto exigir-se moderação de produtos que sabemos que fazem mal?

Foram criados tantos mitos sobre este assunto que acaba por tornar-se na realidade da maior parte das pessoas, como foi minha também.

Podemos escolher o caminho mais fácil, que é ignorar os factos e pensar apenas no nosso “bem-estar” ou podemos aceitar os factos e tentar ter o menor impacto possível neste mundo. Qual a tua escolha?

Jessica Pacheco