Saiu no dia 1 de Novembro de 2016, uma entrevista dada ao jornal Açoriano Oriental. A reportagem é de Ana Paula Fonseca. 

Uma vez que não temos a versão em PDF, reproduzimos aqui o conteúdo.


Associação de Veganismo nos Açores quer alterar hábitos de vida, mas para isso precisa de médicos com formação.

A recente associação vegana dos Açores queixa-se que na Região não há profissionais de saúde com formação para aconselhar quem queira alterar o seu regime alimentar, subsistindo "ideias erradas" sobre o vegetarianismo ou o veganismo estrito [sic vegetarianismo estrito].

A presidente da Associação VegAçores, Jéssica Pacheco, entende que há uma grande lacuna em termos de informação e formação sobre o veganismo nos Açores, principalmente ao nível de acompanhamento médico. "Temos muitas pessoas interessadas no veganismo e têm dito que não adotam o vegetarianismo ou o veganismo estrito [sic vegetarianismo estrito] porque não têm acompanhamento médico".

Jéssica Pacheco, em declarações ao Açoriano Oriental, a propósito do Dia Mundial do Veganismo que hoje se assinala, denuncia que nos Açores "não há profissionais de saúde", como médicos ou enfermeiros, com "formação sobre veganismo". Enfermeira de profissão, Jéssica Pacheco contesta o facto de os próprios programas do Curso de Enfermagem contemplarem apenas "uma cadeira de nutrição em quatro anos de enfermagem".

Para a presidente da VegAçores, os "próprios nutricionistas não estão preparados" e critica a Associação Portuguesa de Nutricionistas ao defender que "a dieta vegan é um perigo para a saúde", acusando aquele organismo de promover congressos em parceria com "entidades que não promovem uma alimentação saudável como a McDonald's ou Terra Nostra".

Afirma que considerar o veganismo prejudicial à saúde é um "mito", já que a Direção Geral de Saúde lançou os guias sobre nutrição vegetariana.

VegAçores é a única associação vegana do país e pretende contribuir para uma mudança de hábitos de vida

Contando atualmente com 25 sócios em São Miguel e no Faial, a VegAçores é a única associação vegana do país e pretende vir a contribuir para uma mudança de hábitos de vida ao nível do consumo e uso de produtos de origem animal.

A sensibilização junto de crianças em idade escolar, dos profissionais de saúde e desmistificar que o veganismo não é um perigo para a saúde, são as grandes linhas de ação estratégicas desta associação criada há cerca de sete [sic três] meses e que já conta com uma dietista e em breve vai contar com uma "nutricionista que consiga fazer planos semanais e ajudar as pessoas no processo de transição".

"Queremos desmitificar as ideias erróneas que têm sobre a alimentação vegetariana estrita e que os próprios profissionais de saúde transmitem", afirma Jéssica Pacheco.

Acrescenta que a associação pretende ainda realizar "palestras e sensibilizações sobre o veganismo, trazendo profissionais de saúde do continente para estas palestras".

O que se entende por veganismo? Jéssica Pacheco diz ser "um estilo de vida que se centra na abolição do sofrimento e exploração animal". Explicita que os veganos têm uma alimentação vegetariana estrita, ou seja não consomem produtos de origem animal (carne, peixe, laticínios, ovos, mel, gelatina, corante e conservante de origem animal), não vão a entretenimentos/desportos que utilizem os animais (circos com animais, zoos, espetáculos com animais, touradas, equitação, passeios em charrete, entre outros), não utilizam cosmética nem medicação que contenha produtos animais, ou que tenha sido realizada experimentação animal. Também não vestem nada de origem animal (couro, camurça, lã, seda, marfim, peles, pérolas e penas).

Segundo Jéssica Pacheco, os objetivos da associação passam precisamente pela abolição do sofrimento e da exploração animal e pela promoção de saúde através da dieta vegetariana estrita, que segundo a Direção Geral de Saúde, quando "apropriadamente planeada é saudável e nutricionalmente adequada em todas as fases do ciclo de vida, podendo ser útil na prevenção e tratamento de certas doenças crónicas".

Outro grande objetivo da associação é a proteção ambiental, uma vez que uma alimentação vegana reduz nas emissões de metano, CO2, óxido nitroso originados na pecuária intensiva, assim como a desflorestação, poluição da água e dos solos e as quantidades exorbitantes de água necessárias para esta indústria.